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Bodka Berde

À moda do Porto...

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Bodka Berde

16
Jul17

A mochila. Que nem sequer era cor-de-rosa!


Bodka

FOTOS IPHONE 6 MARÇO 16 397.JPGO ano passado, fiz o Caminho Português para Santiago de Compostela.

Sei que é o que todos dizem, mas, a verdade é nunca mais se é a mesma pessoa… 

Eu, menina da Cidade, toda “Barbie” nunca tinha passado por tais aventuras, e nunca fui de loucuras e improvisos, para mim tudo requer  tempo e ponderação.

E a maior aventura de todas foi conciliar esse meu “perfil” com o de um Homem impulsivo, preparado para o Mato, com espírito de sobrevivência e desligado dessas “mariquices” de confortos e cadeiras fofinhas. 

A escolha da mochila foi difícil.

O meu único requisito era que fosse cor-de-rosa, mas ele via a versatilidade e o conforto, e ainda as bolsas exteriores e a orientação dos fechos.

Na véspera da Saída depois de inúmeras e infinitas listas e MUITO planeamento, (se dependesse dele era meter meia dúzia de “bagulhos para a mochila e abalar”) passei horas a querer levar infinitas coisas “super importantes sem as quais não poderia viver, obviamente” e o meu namorado com toda a paciência que lhe é característica, a dizer-me que eu não precisava de 90% do que queria levar, mesmo assim depois de muita negociação chegamos a um meio termo (mais uma vez só para mim, para ele eu ainda levava 80% de coisas a mais).

Passado este passo difícil, pusemo-nos a Caminho e o Ritual da mochila começou:

Cada vez que parávamos… Ele punha a dele e ajudava-me a pôr a minha, ele punha a dele e ajudava-me a pôr a minha e mais uma vez ele punha a dele e ajudava-me a pôr a minha.

Isso durante um dia inteiro.

Numa das vezes em que tirei a mochila e aguardava que me ajudasse, ele simplesmente não ajudou.

E eu fiquei furiosa…

Com todo o cuidado me ensinou a colocar sozinha e me explicou que a mochila de cada um só a sim compete. A mochila é a continuação de ti, não um elemento externo.

Não compreendi, mas orgulhosamente comecei a tentar e verifiquei que conseguia sozinha e que ainda era mais fácil do que com ajuda!

Demorei algum tempo, até entender a verdadeira lição.

A mochila representa a dificuldade que TU estas a sentir e por isso SÓ TU a podes ultrapassar , de forma a poderes lidar com a situação. 

E a TUA mochila não serve a mais ninguém.

A vida é feita de mochilas pesadas que temos que aprender a carregar ou então torná-las mais leves,

(que foi aliás o que fiz, pois deixei em Valença 50% do que levava e verifiquei que não precisava de quase nada). 

E ao longo do caminho  fui me apercebendo que de facto precisamos de muito pouco para viver e que sou muito mais forte que qualquer mochila pesada.

E que quanto mais a encheres, mais ela vai pesar, por isso não podemos carregar o Mundo as costas e muito menos o dos outros, temos que ir tirando tudo que é supérfluo e que não precisas.

Isto refere-se a coisas, problemas e…  PESSOAS.

 

Hoje quando face a um problema pessoal, o outro pergunta :

- Posso te ajudar nalguma coisa?

A reposta é frequentemente :

- Não muito obrigada, é a MINHA MOCHILA..!

 

O ano passado fiz o Caminho Português para Santiago de Compostela e uma das minhas maiores lições, veio da minha mochila…

Que nem sequer era cor-de-rosa!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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